Fundamentos da Laserterapia de Baixa Intensidade na Prática Clínica em Saúde
🔦 Introdução à Laserterapia de Baixa Intensidade
A laserterapia de baixa intensidade, também denominada fotobiomodulação, é um recurso terapêutico amplamente incorporado à prática clínica multiprofissional em saúde. Seu uso vem se consolidando em diferentes áreas devido aos benefícios observados na cicatrização de feridas, controle da dor, modulação do processo inflamatório e regeneração tecidual.
Diferentemente das tecnologias ablativas, a laserterapia atua sem provocar danos térmicos aos tecidos. Seu efeito baseia-se na ativação de mecanismos celulares fisiológicos, favorecendo o reparo tecidual de forma segura, não invasiva e biologicamente regulada, tornando-se uma ferramenta valiosa no cuidado integral ao paciente.
❓ O que é Laserterapia de Baixa Intensidade?
A laserterapia de baixa intensidade consiste na aplicação terapêutica de luz coerente, monocromática e colimada, emitida em baixas potências, com o objetivo de estimular respostas biológicas específicas nos tecidos.
Ao contrário do laser cirúrgico, essa modalidade não promove corte, aquecimento significativo ou destruição celular. Sua principal ação ocorre por meio da fotobiomodulação celular, um processo capaz de regular funções metabólicas, inflamatórias e regenerativas, contribuindo para o equilíbrio do microambiente tecidual.
📐 Fundamentos Físicos: Comprimento de Onda e Penetração Tecidual
O comprimento de onda da luz laser é um dos principais determinantes do efeito terapêutico, pois influencia diretamente a profundidade de penetração tecidual e o tipo de tecido-alvo alcançado.
🔴 Laser vermelho (630–660 nm)
Indicado para estruturas superficiais, como pele, mucosas e feridas abertas, onde há necessidade de estímulo celular local e modulação inflamatória superficial.
🔴 Laser infravermelho (808–904 nm)
Apresenta maior capacidade de penetração, sendo utilizado em tecidos mais profundos, como músculos, articulações, nervos periféricos e feridas com maior comprometimento estrutural.
A seleção adequada do comprimento de onda é essencial para otimizar os resultados clínicos e garantir a efetividade do tratamento.
🧬 Mecanismos Biológicos da Fotobiomodulação
A interação da luz laser com os tecidos desencadeia uma série de respostas celulares. A principal estrutura envolvida nesse processo é a mitocôndria, especialmente a enzima citocromo c oxidase, componente fundamental da cadeia respiratória celular.
A absorção da energia luminosa promove:
🔹 aumento da produção de ATP (adenosina trifosfato);
🔹 estímulo à proliferação e migração celular;
🔹 modulação da resposta inflamatória;
🔹 aumento da síntese de colágeno;
🔹 estímulo à angiogênese;
🔹 melhora da oxigenação tecidual.
Esses efeitos explicam a ampla aplicabilidade clínica da laserterapia de baixa intensidade em processos de reparo tecidual, tratamento de feridas e condições dolorosas.
🎯 Efeitos Terapêuticos da Laserterapia de Baixa Intensidade
🔥 Ação anti-inflamatória
A laserterapia contribui para a modulação do processo inflamatório por meio da regulação de mediadores químicos, promovendo redução de edema, dor e hiperemia, sem comprometer as fases fisiológicas da cicatrização.
😌 Analgesia
O efeito analgésico ocorre por múltiplos mecanismos, incluindo:
▪️ redução da excitabilidade das fibras nervosas;
▪️ modulação da produção de prostaglandinas;
▪️ estímulo à liberação de endorfinas.
Esses mecanismos tornam a laserterapia uma importante aliada no manejo da dor aguda e crônica.
🩹 Estímulo à cicatrização tecidual
A aplicação adequada da laserterapia favorece a progressão organizada das fases inflamatória, proliferativa e de remodelação da cicatrização, contribuindo para:
✔️ formação de tecido de granulação saudável;
✔️ organização adequada das fibras colágenas;
✔️ redução do risco de cicatrizes patológicas.
🎚️ Dosimetria em Laserterapia: o Princípio da Janela Terapêutica
A dosimetria correta é um dos pilares para o sucesso da laserterapia. A fotobiomodulação segue o princípio da janela terapêutica, no qual doses insuficientes podem não produzir efeito clínico, enquanto doses excessivas podem inibir a resposta biológica desejada.
Por esse motivo, a aplicação deve respeitar protocolos fundamentados em evidências científicas, considerando parâmetros como energia, potência, tempo de aplicação, área tratada e objetivo terapêutico.
A tecnologia potencializa o tratamento, mas é o uso criterioso, consciente e individualizado que sustenta resultados clínicos consistentes e duradouros.
📚 Referências Científicas
1️⃣ Hamblin MR. Mechanisms and applications of the anti-inflammatory effects of photobiomodulation. AIMS Biophysics. 2017.
2️⃣ Karu T. Photobiology of low-power laser effects. Health Physics. 1989.
3️⃣ Anders JJ et al. Low-level light/laser therapy versus photobiomodulation therapy. Photomed Laser Surg. 2015.
4️⃣ Chung H et al. The nuts and bolts of low-level laser (light) therapy. Ann Biomed Eng. 2012.
5️⃣ Enwemeka CS et al. The efficacy of low-power lasers in tissue repair and pain control. Photomed Laser Surg. 2004.

